quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Sonhos e Pesadelos - Parte I e II

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Sonhos e Pesadelos

          Parte I - Entrada

                Em algum lugar da Inglaterra nos dias atuais:

                Amy, uma adolescente de dezenove anos com uma estatura mediana, de pele clara, olhos azuis, com cabelos negros que iam até o ombro, tinha uma personalidade notável: meiga, educada, inteligente, sonhadora sempre pensando no futuro em como iria se tornar quando crescesse, tinha pensamentos inocentes que alguém poderia até rir deles, mas ela não ligava. Gostava de conversar e conhecer pessoas, seu jeito de ser encantador fazia com que as pessoas se aproximassem dela, às vezes isso causava problema com garotos perseguindo-a com cantadas, mas nada de muito sério, sua personalidade fazia com que as pessoas não quisessem mal a ela.

                Um dia quando Amy voltava da Faculdade uma viatura estava parada em frente a sua casa e um policial estava batendo a sua porta, a casa parecia ter vários anos, mas estava muito bem conservada, tinha dois andares, com um jardim logo à frente, uma planta trepadeira que levava até as janelas de cima e um estacionamento coberto logo ao lado. 

                O policial vendo-a se aproximar a abordou:

                - Amy Collins?

                - Sim. Alguma coisa errada senhor?

                O policial tinha uma estatura alta, não muito atraente, sua expressão era decidida e fria como a de um policial experiente, olhando nos olhos de Amy falou: 

                - Sou o Tenente Clark Moore tenho algo para falar com você, podemos entrar?

                Amy meio confusa e curiosa vendo que o policial talvez não estivesse mentindo resolveu deixá-lo entrar, tirou as chaves do seu bolso e foi em direção à porta passando ao lado do policial, nesse momento Clark sentiu algo estranho, uma presença diferente, uma presença que fez ele ficar errante diante da garota, mas logo deixou isso de lado. Adentrando a casa o policial observou a casa e disse:

                - Bonita casa, sempre morou aqui?

                - Sim, desde que nasci. Meus pais a ganharam de meu avô e avó. Olha, senhor Moore você pode sentar aqui no sofá da sala, enquanto pego um chá para você. Tudo bem?

                - Claro. Obrigado senhorita Collins.

                Clark sentado no sofá observou mais uma vez a casa, analisando dessa vez os detalhes como as várias fotos de família na estante. Todas as fotos tinham sorrisos e poses alegres da família, Amy aparecia em várias e em muitas delas também seus pais estavam lhe abraçando e lhe dando carinhos. Observou também que a casa estava impecavelmente limpa parecia ter sido limpa naquele dia, mas o que lhe chamou mais atenção foi um crucifixo de prata com uma pedra azul no centro parecia medir uns 30 cm e parecia ter escrituras gravadas nele, mas não era uma língua que Clark conhecia, ele estava em cima da estante de madeira a vista de todos. O policial intrigado com o artefato ficou-o observando até que de repente Amy voltou com o chá em uma bandeja e falou:

                - É chá preto tomara que goste. Então... 

                Amy percebeu que o policial estava observando com muita curiosidade o crucifixo, então falou:

-... Esse crucifixo é passado pela minha família a gerações, dizem que ele traz boa sorte e proteção divina. Mas, por que o senhor veio até minha casa? Acho que não desrespeitei nenhuma lei. Pelo menos não que eu lembre.

Amy deixou a bandeja em cima da mesa em frente ao sofá e sentou em uma poltrona ao lado e esperou pela resposta do policial.

- Senhorita Collins você não fez nada de errado é sobre seus pais.

- Que!? Por que meus pais? O que houve?

Amy ficou assustada, aflita. Gostava demais de sua familia para pensar que algo ruim tivesse acontecido a eles.

- Fique calma. Seus pais ...;Clark engoliu em seco; - Foi um acidente.

- Acidente? Como assim? Meus pais estão no hospital? Eles estão bem? Fala logo de uma vez!

Clark vendo o desespero da garota ficou errante durante alguns segundos e olhou para o lado onde havia alguns espelhos e viu algo por um instante na velocidade de um piscar de olhos, era uma sombra estranha abraçando Amy pelas suas costas. Ele não acreditou no que viu e forçou a vista, mas a coisa não estava mais lá. Então se virou para Amy e sem hesitar falou: 

- Senhorita Collins seus pais estão mortos.

Parte II - Encontro

Dia seguinte depois da visita a casa de Amy.

Era noite e Clark estava em casa, deitado em sua cama no quarto, apenas com uma calça jeans, depois de um expediente conturbado com muitos incidentes na delegacia, realmente estressante, ele só queria descansar. Tinha família, mas era divorciado e tinha uma única filha que morava com a mãe, amava sua filha mais do que tudo, passou muito tempo em depressão por perder sua guarda, a mãe alegou que o trabalho dele era perigoso demais e má influência para a garota. O quarto estava sendo iluminado apenas pela luz de um abajur que iluminava o quarto timidamente e estava encima do seu criado mudo. Clark começou a olhar fixamente para sua escrivaninha que ficava em frente a sua cama, lá estavam várias paginas de jornal e recortes de revistas que ficavam coladas no espelho de casos policiais que ele participou.

 Mas ele estava olhando para um recorte em especial que tinha como título “O Artista Rubro” foi assim que o chamaram. Um homem chamado Mark Halls, molestava e assassinava suas vitimas na maioria garotas com menos de 15 anos, mas não era só isso ou assim ele só seria mais um desses criminosos normais. O interessante estava em seu ritual, depois de assassinar suas vítimas ele as cortava em pedaços e as deixavam penduradas no local do assassinato, fazendo verdadeiras “obras de artes” as posicionando como em uma exposição de museu e após isso deixava um breve texto, um poema, uma poesia intitulando e caracterizando sua obra. Cada uma dessas “obras” era diferente uma da outra, um sentimento, uma alma diferente.

Clark passando o olhar por outros encartes do espelho viu a seguinte frase:

“Eu domino a arte da vida e da morte”.The Sun, Agosto de 2010, Primeira página.
 Esse era o título de uma das obras que Mark “O Artista Rubro” teria deixado para traz, escrito com sangue da vítima nas paredes da cena do crime.

Essa era sua marca registrada a sua assinatura. Clark presenciou quase todas essas assinaturas afinal ele era o chefe do caso e até hoje ainda pensava em como o ser humano poderia ser tão cruel e sangue frio a ponto de fazer uma coisa dessas.

 No meio desse devaneio ele fechou os olhos por alguns segundos e ouviu um barulho vindo do andar de baixo da sua casa.

Um animal, o vento? Não pode ser um delinqüente, eu não acredito nisso! Quem iria invadir a casa de um policial? Pensou ele.

Estranhamente, começou a chover lá fora, as gostas de chuva batiam na janela de seu quarto que ficava no segundo andar, agora o barulho lá embaixo era quase imperceptível. Clark abriu a gaveta pegou sua arma no criado mudo que ficava ao lado da cama, sempre a deixava ali para ocasiões como essa, quando ele fechou a gaveta o abajur que antes iluminava timidamente seu quarto desligará. Clark tentou ligar o ligar outra vez, mas em vão e assim disse:

-Droga, abajur barato!

Ele não foi em direção ao interruptor do quarto, pois sabia que quem estivesse lá embaixo iria perceber sua presença e correria. Então seguiu até sua escrivaninha e pegou uma lanterna e assim com uma pistola e uma lanterna desligada foi até a porta de seu quarto e abriu a porta com bastante cuidado para não fazer barulho. A partir daí Clark adotou uma postura de ataque e cautela, empunhou sua arma e a lanterna desligada com as duas mãos em frente ao seu corpo e seguiu em frente. Para chegar até o primeiro andar ele teria que passar pelo corredor e depois descer as escadas para enfim chegar à sala. No corredor havia algumas janelas e o quarto de hóspedes o qual ninguém usava faz muito tempo. Ele foi cautelosamente contando seus passos, olhando para os cantos, observando cada detalhe, cada som, nada poderia passar despercebido ou seria fatal. As gotas de chuva agora batiam forte nas janelas. A luz fraca das janelas iluminava pouco o corredor dificultando a visão. Mas sua postura não se abalava, mesmo com a dificuldade da visão não esperava muito de alguém que invade a casa de um policial e faz tanto barulho.

Clark passou ao lado do quarto de hóspedes, então foi ai que um forte relâmpago iluminou de uma vez todo o corredor. Ele ficou imóvel e a porta do quarto ao seu lado se abriu vagarosamente fazendo um barulho de porta velha, ela ficou entreaberta deixando apenas uma pequena fresta, Clark imediatamente virou para a porta e ligou a lanterna e então rapidamente abriu a porta iluminando todo o quarto com a luz.

- Porra! Isso só pode ser algum tipo de pegadinha. Sussurrou ele.

Não havia nada no quarto apenas móveis cobertos e uma cama velha que mal agüentaria alguém sem quebrar.

Clark já um pouco alterado foi em direção de volta para o corredor e sua lanterna começou a falhar.

- Eu não acredito, realmente é uma pegadinha. Disse ele dando umas batidas na lanterna.

E foi ai que der repente viu uma pessoa correndo no corredor do lado de seu quarto em direção as escadas, Clark sem hesitar correu atrás, não prestou muita atenção a seus traços, mas era uma pessoa de cabelos até os ombros, um pouco menor que ele. Correu pelo corredor e desceu as escadas rapidamente, não via mais o seu alvo.

Quando chegou ao final da escada colocou a lanterna à frente para iluminar a sala, mas não havia nada, tudo estava no lugar e nenhum intruso, o barulho que antes dava pra escutar do segundo andar parara. Clark foi cautelosamente apontando a lanterna ligada e a arma para os cantos da sala a fim de achar o intruso, mas em vão.

- Pra onde será que ele foi? Eu tenho certeza que ele não saiu da casa. Pensou Clark ainda procurando o invasor.

A lanterna começou a falhar outra vez, mas ele dessa vez não abaixou as mãos para fazê-la ligar, estava concentrado em achar o invasor, seu coração começou a bater acelerado, o suor no seu rosto agora era visível e sua respiração estava ofegante. Clark apontou para uma janela e lá viu o seu alvo, de costas, parado, imóvel, olhando para a janela. Agora olhando bem ele percebeu que na verdade se tratava de uma garota e estava com vestido transparente, parecia uma roupa de dormir.

- Parada! Mãos na cabeça! Gritou ele, mas a pessoa nada fez.

- Não ouviu? Vire-se! E mãos na cabeça! Gritou mais uma vez e mais uma vez a pessoa nada fez.

Agora a lanterna desligou e a sala ficou totalmente escura, não era possível ver um dedo na frente do seu nariz e a chuva lá fora agora se transformou em uma tempestade. Clark agora ficou totalmente alerta qualquer som suspeito seria motivo para atirar.

Um relâmpago clareou tudo outra vez e a garota que antes estava de costas olhando pela janela, estava na sua frente a alguns centímetros do cano da arma, olhando para ele, olho no olho, seu rosto estava deformado, cheio de cortes, estava sem um de seus olhos, tinha uma expressão de tristeza em sua face mesmo tão deformada, mas ele a reconheceu era alguém que ele conhecia.

- Você, Você... É aquela garota, Amy! Gritou ele.

 A garota depois de Clark dizer seu nome partiu para cima dele para abraçá-lo, ela encostou suas mãos nos ombros de dele e o empurrou, ele por impulso atirou e logo após caiu pelo empurrão da garota, tentou recompor-se rapidamente, mas sentiu as mãos dela outra vez agora o puxando para baixo pelas suas costas.

- O que é isso!? Não! Não! Pareeee!

Agora Clark estava gritando de agonia e mais uma vez o relâmpago clareou a sala, a garota agora estava em cima dele, existiam vários braços o segurando vindo do chão o puxando através do mesmo, era como se ele estivesse afundando em algo denso, uma matéria negra. A garota enquanto isso ria freneticamente com uma risada assustadora. Clark tentava fugir com força bruta, mas os braços que surgiam do chão eram muito mais fortes que ele, a garota o mordeu no ombro ferozmente antes que ele fosse absorvido por aquilo.

E assim Clark foi totalmente absorvido pela estranha matéria negra e agora estava suspenso em algo denso, conseguia ver uma luz distante e os sons da risada da garota agora eram distantes e quase inaudíveis.  Clark tinha perdido todos os movimentos do corpo, mal conseguia respirar, era como se estivesse debaixo d'água, mas de um modo muito mais assustador. Até que ele escutou longe uma única palavra, uma voz que não era a daquela garota demoníaca.

-Não!

A voz reverberou de vários lugares e assim Clark acordou e era manhã, estava suado, ofegante, parecia ter corrido uma maratona e acima de tudo estava apavorado.

-Que? Foi um pesadelo? Meu Deus o que era aquilo. Disse com um ar de alívio.

Até que Clark sentiu uma dor em seu ombro e correu para verificar no espelho de sua escrivaninha e lá havia um marca de mordida profunda, que tinha deixado um contorno negro ao redor, mas quando observou melhor seu corpo percebeu que todo o seu tronco estava marcado por palmas de mãos negras.

3 comentários:

camis . disse...

Tem a Parte II já? :D Queria muito ler. Gosto muito de ler esses contos, impressionantes.

Deneb disse...

Claro, vai ter parte 2 sim só estamos esperando mais comentários. E obrigado pelo comentário. :)

Anonymous disse...

Muito bom ☺☺☺☺

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