segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Sozinho

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Ninguém pode ver a dor que nós escondemos,
Eles estão felizes por nós posso mantê-la aqui dentro,
Nosso medo é nosso, pois eles não estão interessados,
Por que devemos envolvê-los, por que mostrar isso?

Você vive sua vida inteira em confusão e medo,
A necessidade de sentir algo insuportavelmente perto, profundo
Metade do que você viveu, metade do que foi,
E dentro de você, você sabe: o que está fazendo é errado.

A única coisa que pode ajudar, a única coisa que pode curar,
É a chama ou a lâmina da picada do aço,
A destruição da pele, a morte da sua alma,
Mas não há para onde fugir quando você vive sozinho.

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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Fé cega

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Passei a catraca, sentei no último acento vago do ônibus, minto, tinha um vago mais à frente. Do meu lado, uma velha senhora lendo uma bíblia de bolso com suas letras minúsculas. Reparo numa moça bonita que estava de pé, de mochila nas costas, uniformizada com sua farda de colégio. Ao mesmo tempo vejo uma senhora passar com uma bolsa e sacolas, assim como seu terço com bolinhas azuis e brancas alternadas caindo no chão. A moça bonita também o notou, percebi que ela quis dizer algo para alertar sobre o objeto que caíra, mas, ela calou.

A senhora da bolsa e das sacolas sentou no último(agora sim) acento vago do ônibus e eu apenas observava a moça bonita. Ela movimentou-se para mais perto do terço postado ao chão, e ficou, ficou, ficou… Olhava-o e olhava para a senhora, e calada continuou. De repente a dona do objeto levanta tocando seu pulso vazio e olhando para o chão. Refazendo seus passos encontra o que sentira falta. A moça bonita ainda abaixou-se a fim de tentar se antecipar a senhora e entregar o terço a mesma, mas não, ela foi lenta. Percebendo a tentativa da moça em ajudá-la a apanhar o objeto no chão, a senhora a olha e diz – apertando o terço com sua mão direita e sorrindo – ‘É minha proteção’.

A moça devolve o sorriso. Frustrada, presumi.

Volto a atentar para a velha senhora e sua bíblia diminuta. Ela chorava, e não entendendo eu a perguntei o porque do choro e se ela estava se sentindo bem…

- Estou sem meus óculos, não consigo ler uma palavra sequer – Responde a velha senhora, decepcionada.

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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Mark Halls, O Artista Rubro - Parte I

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 Parte I - Decadência


Um grito de raiva ecoava pelo quarto vazio, ele havia voltado de outra reunião de negócios mal sucedida. Havia tentado vender alguns de seus quadros a alguns colecionadores, a quantia que eles ofereceram era ridícula, para ele aquilo era pena ou uma forma de zombar do grande sobrenome Halls.

Enquanto se despia foi até a cozinha e pegou uma garrafa de uísque, era a última, esse era um luxo que era incapaz de abandonar, se alimentava mal, geralmente sopa e pão velho, mas se recusava a beber qualquer coisa que custasse menos de £ 300. Talvez no fundo isso fosse pela lembrança do que os uísques vagabundos fizeram com seu pai, depois que as tremedeiras começaram, ele nunca mais foi o mesmo, nunca mais conseguiu pintar, na verdade nunca mais conseguiu fazer nada, nem se matar.

Era difícil aceitar o próprio fracasso, a família Halls que no passado era conhecida muito além das fronteiras do Reino Unido, hoje era nada. O último verdadeiro artista da família havia sido o seu bisavô, seu avô e seu pai só conseguiram dilapidar o patrimônio da família, eram artistas medíocres. Apesar de nunca ter sofrido pressão no fundo ele sabia que devia seguir a tradição da família.

Mark era talentoso, como centenas de outros, lhe faltava aquilo que diferencia os grandes artistas, ele achava que faltava vida as suas pinturas. Ele sabia que os poucos quadros que vendia eram comprados mais pelo sobrenome do que pelo talento dele.

No dia seguinte ele acorda com o telefone tocando, parece ter tocado durante toda a madrugada, o chão frio do banheiro faz ele se levantar rapidamente, a cabeça dói, ele se sente meio desorientado, como a garrafa de uísque está vazia isso é normal. Se arrastando lentamente chega até a pia, não gosta do que vê no espelho, fica por alguns minutos encarando aquela figura deprimente, sua raiva explode num soco, os estilhaços perfuram seu braço, o tempo congela, o sangue flui abundantemente, o sangue misturado ao vidro cria mosaicos, ele se sente vivo, estava em transe, se não tivesse sido interrompido teria sangrado até morrer. Mas a campainha toca incessantemente.

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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Sonhos e Pesadelos - Parte I e II

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Sonhos e Pesadelos

          Parte I - Entrada

                Em algum lugar da Inglaterra nos dias atuais:

                Amy, uma adolescente de dezenove anos com uma estatura mediana, de pele clara, olhos azuis, com cabelos negros que iam até o ombro, tinha uma personalidade notável: meiga, educada, inteligente, sonhadora sempre pensando no futuro em como iria se tornar quando crescesse, tinha pensamentos inocentes que alguém poderia até rir deles, mas ela não ligava. Gostava de conversar e conhecer pessoas, seu jeito de ser encantador fazia com que as pessoas se aproximassem dela, às vezes isso causava problema com garotos perseguindo-a com cantadas, mas nada de muito sério, sua personalidade fazia com que as pessoas não quisessem mal a ela.

                Um dia quando Amy voltava da Faculdade uma viatura estava parada em frente a sua casa e um policial estava batendo a sua porta, a casa parecia ter vários anos, mas estava muito bem conservada, tinha dois andares, com um jardim logo à frente, uma planta trepadeira que levava até as janelas de cima e um estacionamento coberto logo ao lado. 

                O policial vendo-a se aproximar a abordou:

                - Amy Collins?

                - Sim. Alguma coisa errada senhor?

                O policial tinha uma estatura alta, não muito atraente, sua expressão era decidida e fria como a de um policial experiente, olhando nos olhos de Amy falou: 

                - Sou o Tenente Clark Moore tenho algo para falar com você, podemos entrar?

                Amy meio confusa e curiosa vendo que o policial talvez não estivesse mentindo resolveu deixá-lo entrar, tirou as chaves do seu bolso e foi em direção à porta passando ao lado do policial, nesse momento Clark sentiu algo estranho, uma presença diferente, uma presença que fez ele ficar errante diante da garota, mas logo deixou isso de lado. Adentrando a casa o policial observou a casa e disse:

                - Bonita casa, sempre morou aqui?

                - Sim, desde que nasci. Meus pais a ganharam de meu avô e avó. Olha, senhor Moore você pode sentar aqui no sofá da sala, enquanto pego um chá para você. Tudo bem?

                - Claro. Obrigado senhorita Collins.

                Clark sentado no sofá observou mais uma vez a casa, analisando dessa vez os detalhes como as várias fotos de família na estante. Todas as fotos tinham sorrisos e poses alegres da família, Amy aparecia em várias e em muitas delas também seus pais estavam lhe abraçando e lhe dando carinhos. Observou também que a casa estava impecavelmente limpa parecia ter sido limpa naquele dia, mas o que lhe chamou mais atenção foi um crucifixo de prata com uma pedra azul no centro parecia medir uns 30 cm e parecia ter escrituras gravadas nele, mas não era uma língua que Clark conhecia, ele estava em cima da estante de madeira a vista de todos. O policial intrigado com o artefato ficou-o observando até que de repente Amy voltou com o chá em uma bandeja e falou:

                - É chá preto tomara que goste. Então... 

                Amy percebeu que o policial estava observando com muita curiosidade o crucifixo, então falou:

-... Esse crucifixo é passado pela minha família a gerações, dizem que ele traz boa sorte e proteção divina. Mas, por que o senhor veio até minha casa? Acho que não desrespeitei nenhuma lei. Pelo menos não que eu lembre.

Amy deixou a bandeja em cima da mesa em frente ao sofá e sentou em uma poltrona ao lado e esperou pela resposta do policial.

- Senhorita Collins você não fez nada de errado é sobre seus pais.

- Que!? Por que meus pais? O que houve?

Amy ficou assustada, aflita. Gostava demais de sua familia para pensar que algo ruim tivesse acontecido a eles.

- Fique calma. Seus pais ...;Clark engoliu em seco; - Foi um acidente.

- Acidente? Como assim? Meus pais estão no hospital? Eles estão bem? Fala logo de uma vez!

Clark vendo o desespero da garota ficou errante durante alguns segundos e olhou para o lado onde havia alguns espelhos e viu algo por um instante na velocidade de um piscar de olhos, era uma sombra estranha abraçando Amy pelas suas costas. Ele não acreditou no que viu e forçou a vista, mas a coisa não estava mais lá. Então se virou para Amy e sem hesitar falou: 

- Senhorita Collins seus pais estão mortos.

Parte II - Encontro

Dia seguinte depois da visita a casa de Amy.

Era noite e Clark estava em casa, deitado em sua cama no quarto, apenas com uma calça jeans, depois de um expediente conturbado com muitos incidentes na delegacia, realmente estressante, ele só queria descansar. Tinha família, mas era divorciado e tinha uma única filha que morava com a mãe, amava sua filha mais do que tudo, passou muito tempo em depressão por perder sua guarda, a mãe alegou que o trabalho dele era perigoso demais e má influência para a garota. O quarto estava sendo iluminado apenas pela luz de um abajur que iluminava o quarto timidamente e estava encima do seu criado mudo. Clark começou a olhar fixamente para sua escrivaninha que ficava em frente a sua cama, lá estavam várias paginas de jornal e recortes de revistas que ficavam coladas no espelho de casos policiais que ele participou.

 Mas ele estava olhando para um recorte em especial que tinha como título “O Artista Rubro” foi assim que o chamaram. Um homem chamado Mark Halls, molestava e assassinava suas vitimas na maioria garotas com menos de 15 anos, mas não era só isso ou assim ele só seria mais um desses criminosos normais. O interessante estava em seu ritual, depois de assassinar suas vítimas ele as cortava em pedaços e as deixavam penduradas no local do assassinato, fazendo verdadeiras “obras de artes” as posicionando como em uma exposição de museu e após isso deixava um breve texto, um poema, uma poesia intitulando e caracterizando sua obra. Cada uma dessas “obras” era diferente uma da outra, um sentimento, uma alma diferente.

Clark passando o olhar por outros encartes do espelho viu a seguinte frase:

“Eu domino a arte da vida e da morte”.The Sun, Agosto de 2010, Primeira página.
 Esse era o título de uma das obras que Mark “O Artista Rubro” teria deixado para traz, escrito com sangue da vítima nas paredes da cena do crime.

Essa era sua marca registrada a sua assinatura. Clark presenciou quase todas essas assinaturas afinal ele era o chefe do caso e até hoje ainda pensava em como o ser humano poderia ser tão cruel e sangue frio a ponto de fazer uma coisa dessas.

 No meio desse devaneio ele fechou os olhos por alguns segundos e ouviu um barulho vindo do andar de baixo da sua casa.

Um animal, o vento? Não pode ser um delinqüente, eu não acredito nisso! Quem iria invadir a casa de um policial? Pensou ele.

Estranhamente, começou a chover lá fora, as gostas de chuva batiam na janela de seu quarto que ficava no segundo andar, agora o barulho lá embaixo era quase imperceptível. Clark abriu a gaveta pegou sua arma no criado mudo que ficava ao lado da cama, sempre a deixava ali para ocasiões como essa, quando ele fechou a gaveta o abajur que antes iluminava timidamente seu quarto desligará. Clark tentou ligar o ligar outra vez, mas em vão e assim disse:

-Droga, abajur barato!

Ele não foi em direção ao interruptor do quarto, pois sabia que quem estivesse lá embaixo iria perceber sua presença e correria. Então seguiu até sua escrivaninha e pegou uma lanterna e assim com uma pistola e uma lanterna desligada foi até a porta de seu quarto e abriu a porta com bastante cuidado para não fazer barulho. A partir daí Clark adotou uma postura de ataque e cautela, empunhou sua arma e a lanterna desligada com as duas mãos em frente ao seu corpo e seguiu em frente. Para chegar até o primeiro andar ele teria que passar pelo corredor e depois descer as escadas para enfim chegar à sala. No corredor havia algumas janelas e o quarto de hóspedes o qual ninguém usava faz muito tempo. Ele foi cautelosamente contando seus passos, olhando para os cantos, observando cada detalhe, cada som, nada poderia passar despercebido ou seria fatal. As gotas de chuva agora batiam forte nas janelas. A luz fraca das janelas iluminava pouco o corredor dificultando a visão. Mas sua postura não se abalava, mesmo com a dificuldade da visão não esperava muito de alguém que invade a casa de um policial e faz tanto barulho.

Clark passou ao lado do quarto de hóspedes, então foi ai que um forte relâmpago iluminou de uma vez todo o corredor. Ele ficou imóvel e a porta do quarto ao seu lado se abriu vagarosamente fazendo um barulho de porta velha, ela ficou entreaberta deixando apenas uma pequena fresta, Clark imediatamente virou para a porta e ligou a lanterna e então rapidamente abriu a porta iluminando todo o quarto com a luz.

- Porra! Isso só pode ser algum tipo de pegadinha. Sussurrou ele.

Não havia nada no quarto apenas móveis cobertos e uma cama velha que mal agüentaria alguém sem quebrar.

Clark já um pouco alterado foi em direção de volta para o corredor e sua lanterna começou a falhar.

- Eu não acredito, realmente é uma pegadinha. Disse ele dando umas batidas na lanterna.

E foi ai que der repente viu uma pessoa correndo no corredor do lado de seu quarto em direção as escadas, Clark sem hesitar correu atrás, não prestou muita atenção a seus traços, mas era uma pessoa de cabelos até os ombros, um pouco menor que ele. Correu pelo corredor e desceu as escadas rapidamente, não via mais o seu alvo.

Quando chegou ao final da escada colocou a lanterna à frente para iluminar a sala, mas não havia nada, tudo estava no lugar e nenhum intruso, o barulho que antes dava pra escutar do segundo andar parara. Clark foi cautelosamente apontando a lanterna ligada e a arma para os cantos da sala a fim de achar o intruso, mas em vão.

- Pra onde será que ele foi? Eu tenho certeza que ele não saiu da casa. Pensou Clark ainda procurando o invasor.

A lanterna começou a falhar outra vez, mas ele dessa vez não abaixou as mãos para fazê-la ligar, estava concentrado em achar o invasor, seu coração começou a bater acelerado, o suor no seu rosto agora era visível e sua respiração estava ofegante. Clark apontou para uma janela e lá viu o seu alvo, de costas, parado, imóvel, olhando para a janela. Agora olhando bem ele percebeu que na verdade se tratava de uma garota e estava com vestido transparente, parecia uma roupa de dormir.

- Parada! Mãos na cabeça! Gritou ele, mas a pessoa nada fez.

- Não ouviu? Vire-se! E mãos na cabeça! Gritou mais uma vez e mais uma vez a pessoa nada fez.

Agora a lanterna desligou e a sala ficou totalmente escura, não era possível ver um dedo na frente do seu nariz e a chuva lá fora agora se transformou em uma tempestade. Clark agora ficou totalmente alerta qualquer som suspeito seria motivo para atirar.

Um relâmpago clareou tudo outra vez e a garota que antes estava de costas olhando pela janela, estava na sua frente a alguns centímetros do cano da arma, olhando para ele, olho no olho, seu rosto estava deformado, cheio de cortes, estava sem um de seus olhos, tinha uma expressão de tristeza em sua face mesmo tão deformada, mas ele a reconheceu era alguém que ele conhecia.

- Você, Você... É aquela garota, Amy! Gritou ele.

 A garota depois de Clark dizer seu nome partiu para cima dele para abraçá-lo, ela encostou suas mãos nos ombros de dele e o empurrou, ele por impulso atirou e logo após caiu pelo empurrão da garota, tentou recompor-se rapidamente, mas sentiu as mãos dela outra vez agora o puxando para baixo pelas suas costas.

- O que é isso!? Não! Não! Pareeee!

Agora Clark estava gritando de agonia e mais uma vez o relâmpago clareou a sala, a garota agora estava em cima dele, existiam vários braços o segurando vindo do chão o puxando através do mesmo, era como se ele estivesse afundando em algo denso, uma matéria negra. A garota enquanto isso ria freneticamente com uma risada assustadora. Clark tentava fugir com força bruta, mas os braços que surgiam do chão eram muito mais fortes que ele, a garota o mordeu no ombro ferozmente antes que ele fosse absorvido por aquilo.

E assim Clark foi totalmente absorvido pela estranha matéria negra e agora estava suspenso em algo denso, conseguia ver uma luz distante e os sons da risada da garota agora eram distantes e quase inaudíveis.  Clark tinha perdido todos os movimentos do corpo, mal conseguia respirar, era como se estivesse debaixo d'água, mas de um modo muito mais assustador. Até que ele escutou longe uma única palavra, uma voz que não era a daquela garota demoníaca.

-Não!

A voz reverberou de vários lugares e assim Clark acordou e era manhã, estava suado, ofegante, parecia ter corrido uma maratona e acima de tudo estava apavorado.

-Que? Foi um pesadelo? Meu Deus o que era aquilo. Disse com um ar de alívio.

Até que Clark sentiu uma dor em seu ombro e correu para verificar no espelho de sua escrivaninha e lá havia um marca de mordida profunda, que tinha deixado um contorno negro ao redor, mas quando observou melhor seu corpo percebeu que todo o seu tronco estava marcado por palmas de mãos negras.

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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Espera

1

O sol se pôs
mais um dia se passou
do começo do dia ao passar do crepúsculo
ao aguardar da noite.

Passando as horas canónicas
esperando o desabrochar da flor
e assim relanceio várias pétalas
rosas, violetas ou girassóis.

E te espero para dar-te-á minha alma, meu olhar, minha voz.
um amor a poesia.

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sábado, 22 de janeiro de 2011

O Garoto sem nome - Parte II

2


Os mantos estavam pesados. A areia adentrava em suas botas gastas. O sol era escaldante, e o vento abafado e seco.
Há dois sóis e duas luas o viajante caminhava, sem companhia, sem destino e agora, sem água. Ele tentou beber as ultimas gotas do cantil, mas sabia que elas evaporaram a muito tempo.
O passo era pesado, a caminhada cansativa, e a viagem um verdadeiro suplicio. Mesmo assim, a ele continuava em sua jornada. Papeis e tintas eram tudo que lhe restava, alem da vaga lembrança de seu amigo que morrera a 1 mês vitima das febres do oriente.
O deserto era imenso, um verdadeiro mar de areia. Pensou.
Já exausto o viajante tomba no chão. Nesse momento, varias lembranças percorrem sua mente, alguma felizes, outras tristes. De momentos marcantes, e outros que já não se lembrava.
Será que aquilo seria a visão antes da morte que contam as lendas? Estarei eu perto do fim? Pensou.
De repente algo caiu em seu rosto. Água.. um instinto primitivo percorreu seu ser e seus suas mãos agarraram algo parecido com um cantil.
A água jorrava para dento de sua garganta, a sensação era ao mesmo tempo um misto de dor e prazer, mesmo quente ela fazia seu corpo vibrar. Sua mãos tremiam, ela não conseguia abrir os olhos, com medo que aquilo fosse um sonho.
Após beber, ele tossiu um pouco e apoiou seu punho esquerdo no chão. Uma voz suave então o fez abrir os olhos. Ele viu então uma belíssima mulher, de cabelos escuros e olhos claros vestida com mantas brancas que sorria para ele.
Um belo anjo negro me salvou. Pensou, antes de cair novamente em sono profundo.
Essa é a continuação de um outro conto. Para ver a primeira parte, clique nesse link : O Garoto Sem Nome

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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Agora contos no seu Celular/Smartphone!!

0

Pessoal, agora o Contos Perpétuos também pode ser acessado do seu celular!

http://contosperpetuos.blogspot.com/?m=1

Incrível não? A ferramenta ainda está em fase de testes, mas já se vê que tem um grande potencial. Muitas das funcionalidades não estão no modelo, mas o mais importante, os comentários os textos estão lá. Aqui vai uma print do modelo:

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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Dos relacionamentos afetivos atuais

2

Em suas lembranças favoritas, nos melhores momentos da sua vida. Você estava sozinho? A vida é melhor quando estamos acompanhados. Todos precisam de um co-piloto.
Se relacionar com alguém hoje em dia é como nadar no oceano. Algumas pessoas gostam de nadar na superfície, onde é refrescante, onde não se precisa de muitos cuidados; próximo a superfície há luz e pouca pressão. É fácil nadar rápido e se divertir muito. Consegue-se ver os reflexos do sol na superfície e você sabe que está próximo da saída, tudo que você tem de fazer é nadar para cima e terá saído. Por outro lado há algumas pessoas que gostam de nadar mais profundamente no oceano, onde tudo fica mais interessante, onde há muito a se ver – peixes brilhantes, criaturas marinhas das mais diversas formas e nuances, corais, cores vivas bonitas e vibrantes, mas há mais pressão. É um pouco mais difícil se você quiser sair, não é fácil chegar à superfície, há muita pressão, mas é muito mais gratificante e uma experiência mais reflexiva. É mais profundo e mais significativo.

De qualquer forma, é bom.

A maioria das pessoas tendem preferir a primeira (superfície) ou a outra (profundidade)? Eventualmente pode-se descobrir que você pode gostar de estar mais profundo no oceano onde é colorido, vibrante… Mas a mulher com quem você estiver pode não está confortável muito profundamente no oceano. Ela pode gostar de nadar na superfície. Agora, se você encorajá-la, ela irá descer e nadará um pouco mais profundamente contigo, pois ela realmente te ama, mas eventualmente ela pode sentir a pressão e a falta de ar e então vai querer voltar à superfície.

É assim que são os relacionamentos hoje em dia. Pessoas gostam de nadar em diferentes profundidades e não há nada que possamos fazer sobre isso, devemos nos divertir com a mulher maravilhosa que entrou em nossa vida o quanto pudermos, mas jamais poderemos mudar a profundidade que ela prefere. Tendo isto em mente percebemos o quão difícil é encontrar alguém que goste de nadar na mesma profundidade que nós, o tempo todo. Ora, o fundamental, o princípio básico de toda relação como uma vez disse Raul Nepomuceno é: O amor não dá garantias – nem mesmo se nadamos na mesma profundidade.
O melhor amigo terá provavelmente a melhor esposa, porque o bom casamento tem por base o talento para a amizade. Ao iniciar um casamento, o homem deveria se colocar a seguinte pergunta: você acredita que gostará de conversar com essa mulher até a velhice? Tudo o mais no casamento é transitório, mas a maior parte do tempo é dedicada à conversa. (Friedrich Nietzsche, Humano, demasiado humano, Ed. Companhia das Letras, p. 199 e 202)
Você ai conhece alguma outra garantia senão a amizade? Eu não. Claro que esta garantia também pode expirar, não é para a vida toda. Mas é muito claro para mim que uma relação estabelecida numa amizade profunda e sincera tem muito mais chances de dar certo. Os homens hoje gastam toda sua energia seduzindo o máximo de mulheres possíveis e esquecem(Ou nunca souberam) como ser amigo das mulheres, o mais triste é que muitos de seus alvos nem mesmo os interessam de fato. Claro, cada um se vira como pode, mas creio que essa busca incessante não passa de migalhas de prazer e felicidade provisórias e que se quisermos uma relação afetiva de qualidade temos que cultivar a amizade com a nossa parceira, uma amizade profunda e sincera, não uma amizade medíocre – muito comum nos dias de hoje. Do contrário, o passar do tempo e a rotina trarão consigo a distância e o império do silêncio. E depois do silêncio, segue-se o fim.

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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Longa noite

1

Longa noite

sem piedade, direto na veia
escolhendo a próxima vítima
mudando de alvo
a dor está chegando

gelo no copo que nunca fica vazio,
sede de sangue
outro anjo cai
tristeza descartável

garrafa vazia, nada mais em volta
guiado por meus pecados
olho pela janela: jardim zoológico humano
apagando a luz.

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domingo, 16 de janeiro de 2011

O Escarlate do Fim

3

Últimos dias. Estava encostado no parapeito da janela e via aquela imensa bola de fogo incandescente. Eles nos avisaram, falaram de esperanças, falaram de garantias, falaram de sobrevivência, mas sentia em meu intimo que a mentira reconfortante seria melhor que a verdade. A verdade de que todos nós estaríamos condenados por essa força maior e incontrolável que vem sem avisar e destrói sem deixar rastros.

Era dia e aquela bola escarlate estava cada vez mais próxima de nós como uma bomba relógio avisando o fim. Da janela avistava várias singularidades, pessoas oravam aos céus, outras choravam desesperadas, algumas abraçavam desesperadamente seus familiares e entes queridos. O governo já tentará todas as formas possíveis de pará-lo, mas tudo em vão, sua força colossal fazia-o vir para nos julgar “O juízo final” era o que alguns falavam. Pessoas em sua insanidade ou instinto de sobrevivência subiram montes e montanhas a fim de proteger-se. Como eram tolas. Aquela bola escarlate aniquilaria tudo e a todos. Não adiantava onde estivesse na terra o sopro da morte chegaria até você mais cedo ou mais tarde.

Restava pouco tempo até a aniquilação, eu estava calmo, talvez tivesse aceitado tudo abertamente, de que o mundo que conheço deixaria de existir e tudo que faria daqui em diante não teria mais sentido nenhum. Minha vida, minhas lembranças, minha existência tudo isso agora era fútil e desnecessário para mim. Ou talvez ao invés de tudo isso estivesse ficando louco como muitos. Alguns muitos desses que também se mataram para evitar o sofrimento por mais tempo de perder tudo e todos.

Só uma coisa passava em minha mente nesses dias sombrios, o desejo de ver a única pessoa que amei em toda minha vida, uma última vez, um último olhar, um último toque, uma última palavra. Por que a perdi tão cedo? Deus, se ele existir não deve me amar de modo algum. E mesmo agora perto do fim meu desejo de vê-la é maior do que tudo. Pouco me importa o desespero dessas pessoas, pouco me importa Deus, pouco me importa o mundo! Só desejo aquele sentimento quente e confortável de volta.

Afastei-me um pouco da janela, fui à cama, onde a foto dela estava ao lado da mesma. Olhei-a atentamente talvez receasse esquecer seu rosto nos momentos finais. Sentei-me na cama as lágrimas caíram, há muito tempo não caiam, estava com esse sentimento engasgado e agora colocará tudo para fora.

Agora minha muralha caíra e finalmente esses sentimentos chegaram a mim. Deitei-me e deixei fluir, olhando para a foto dela adormeci torcendo para ver seu rosto angelical em meus sonhos.

Chegara o dia do juízo, aquilo estava perto demais. O céu escureceu, ouviram-se gritos, um grande barulho seguiu-se, um som de caos e destruição tomava forma, a terra começou a estremecer talvez esse fosse o sinal que a bíblia tanto fala no Livro de João “o soar da sétima trombeta” e a sétima estava para soar anunciando o fim de tudo na terra. Olhei para a janela e uma onda de morte e dor estava chegando, qualquer reação era inútil contra aquilo então aquele sopro escarlate de morte chegou até minha existência mortal e nesse momento ouve um lampejo em minha mente e assim disse para mim mesmo:

“Finalmente irei revê-la, talvez Deus não seja tão ruim”.

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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Primeiro Amor

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Ele estava bastante nervoso, o coração acelerado, suor na palma da mão, mentalmente tentava ensaiar o que iria dizer.

Finalmente havia chegado o dia, ele estava pronto para se confessar para a garota que gostava. Eles haviam se conhecido no ônibus, que ambos sempre pegavam para ir e voltar da escola, com o tempo começaram a conversar e se aproximar, o que começou como uma amizade havia se transformado em amor, o garoto estava confuso, afinal nunca tinha sentido nada parecido antes.

Depois de algum tempo aquele sentimento se tornou tão intenso e profundo que não havia mais como suprimi-lo, o que o angustiava era a dúvida se conseguiria exprimir tudo que sentia através de palavras, como todos os apaixonados ele descobriu que as palavras são insuficientes, ele queria criar palavras novas, que conseguissem expressar o que ele sentia quando ela sorria, como ele gostaria de se perder no brilho dos olhos dela ...

Tinha medo de parecer piegas, de receber um não como resposta, de fazer algo errado e estragar tudo, sua confiança começava a desaparecer. Enquanto ele estava atordoado com seus pensamentos ela aparece, nesse momento ele teve a certeza que se não falasse naquele momento nunca mais conseguiria, por um momento fechou os olhos e quando eles se abriram ela era tudo que ele via, sem pensar pegou a mão dela.

As palavras começaram a sair, ele gaguejou algumas vezes, embaralhou palavras, mas aquilo não era importante, ele não estava falando com palavras, ele mantinha os olhos fixos nos dela, com aquilo abria sua alma para ela, falava com o coração direto ao coração dela. Quando terminou de falar houve um silêncio de alguns segundos, que duraram séculos para ele.

Ela não respondeu nada, mas apertou mais forte a mão dele, e sorriu, aquele sorriso era diferente de todos os outros, naquele momento ele entendeu que eles não precisavam mais de palavras. As bocas deles então se encontraram num beijo que mistura ternura, pureza e um recém descoberto amor, eles então foram felizes, por alguns meses.

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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Exórdio

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Fazendo minha caminhada noturna ouvi: 

- Todos! Reúnam-se no salão!

Estava intrigado com aquilo, pois não era sempre que eles nos reuniam para falar algo e principalmente à noite. Fui ao encontro de meus companheiros chegando ao local observei um ambiente caótico, todos falavam ao mesmo tempo mal se podia ouvir o que a pessoa ao lado falava. Alguns momentos depois todos se calaram e direcionaram os olhares para uma figura parada no andar superior do salão. Era O Mestre e assim ele disse:

- Crianças hoje é o dia que vos foi profetizado, hoje será o Dia da Criação.

Blasfêmia! Isso está errado! Essas eram algumas das palavras que consegui entender que saiam das bocas de meus companheiros, mas o que era exatamente esse “Dia da Criação” nunca ouvi mencionarem. Talvez fosse por que sou um dos mais novos? O mestre me trouxe para esse lugar faz pouco tempo, lembro-me como se fosse ontem ele segurando minha mão e me chamando de filho, foi um momento único que nunca irei esquecer.

- Porque criar esses, esses... Monstros!? Eles só trarão caos a tudo que existe!

Depois desse argumento ouviram-se mais gritos e algazarra. Senti-me mais confuso ainda, não entendia os argumentos de meus amigos, muito menos sobre o que estavam argumentando. Um deles subiu as escadas e foi ao encontro do mestre, ficando cara a cara com ele disse:

- Quaisquer que sejam seus motivos, não merecemos isso! Você nos trouxe aqui e cuidou de nós e agora simplesmente diz que precisa se livrar de nos? Isso não é justo.

O Mestre o encarou com um olhar sereno e disse:

- Sua raiva nunca o levou a nada e nunca vai levar, mas você é importante tanto quanto qualquer um aqui, vocês irão entender tudo depois de hoje. Vocês fecharão o ciclo.

O Mestre depois da discussão apontou para mim e me pediu para ir ao seu encontro, primeiramente não entendi, mas confiava no Mestre mais que em qualquer um dessa sala então fui sem pensar duas vezes.

O que? Gritaram alguns. Ele que vai nos guiar? Gritaram alguns.

Ele foi minha penúltima criação a que ira colocar todos vocês em harmonia, talvez ele seja uma das mais belas que criei. Ele se chama Evol o Amor. E assim seguiu O Mestre com o ritual:

- Vocês viverão para sempre com eles os façam viver.

Ele inclinou as mãos para os céus e bateu as palmas uma na outra, ouve um clarão, no momento seguinte o salão estava vazio e o Mestre com uma expressão singela se dirigiu ao seu descanso.

Acordei em um lugar de trevas em meio ao nada, mas meus irmãos estavam por perto alguns não estavam mais ao alcance da minha vista e outros pararam ao meu lado apenas observando. Um deles chegou mais perto de mim.

- O Mestre disse que você nos guiaria então, Comece! ; disse Vis um dos irmãos mais velhos.

Não sabia o que responder, desviei o olhar e vi terra para todos os lados, olhei para o outro lado e vi água em abundância e em um piscar de olhos criaturas surgiram na minha frente. Tudo estava acontecendo rápido demais, era como um sonho.

- Terás que controlar o tempo.

Disse meu irmão Mens um de meus irmãos mais inteligentes.

- Todos nos temos esse poder de observar qualquer parte do tempo basta que pratique e conseguirá controlá-lo. Não poderás ver nem controlar o futuro, pois só o Mestre tem a Onisciência e a Onipresença entre nós, mas particularmente não acredito nisso, tudo é obra do acaso assim como nós.

Depois dessas palavras Mens foi para seus afazeres e eu fiquei com os outros que ainda estavam esperando por respostas. Ainda não sabia o que fazer, mas controlar o tempo que vejo seria meu objetivo. 

Assim passaram-se milênios até que eu conseguisse controlar alguns de meus poderes e descobrir algum de meus objetivos, um de meus poderes foi o de conseguir controlar uma realidade paralela onde conseguiria ver as criaturas da terra e elas não me vissem, bem assim seria melhor para realizar meu trabalho de fazê-las me conhecer.

Continua ... Exórdio - Indignação

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Apenas três acordes...

1

Hoje acodei com uma melodia na cabeça, não consigo a por em palavras. Não me lembro de tê-la ouvido em algum lugar, talvez eu devesse criar uma musica...poderia ficar famoso...ou rico, ao menos se soubesse tocar mais do que três acordes...olhei para o relógio, eram 4 e meia, e ainda estava escuro.
O quarto tinha um cheiro forte de alcool e cigarro, roupas espalhadas pelos cantos, um pouco de comida no chão... piso em um pedaço de pizza e vejo que alguem vomitou no banheiro. De qualquer forma, a camareira vai ter um belo susto quando entrar aqui. Afinal, foi uma noite daquelas.
Ligo para o serviço de quarto, mas ninguem atende, olho pra minha barriga roncando, acho que não teremos serviço de quarto hoje.
Pego minha mochila, tem a calcinha de alguem aqui, qual era o seu nome? Briana, Cianna, Luana... não me lembro direito..tinha tanta gente naquele show, tantos rostos desconhecidos, eu cheguei em casa com uma amiga que conheci lá e meu uisque já estava acabando... acho que estou ficando velho demais pra isso, mas ainda sou novo demais para aposentar a jaqueta de couro...
Vou ao banheiro, tomo um banho, sinto como se navalhas de gelo perfurassem cada canto de meu corpo: que ressaca... visto alguma coisa, deito na cama, a tal garota já tinha se mandado... nem esperou a grana do táxi... acho que a educação dos jovens acabou...
O sol aparece, fere meu rosto barbado, e meus olhos sentem a necessidade dos velhos óculos escuros. Deço as escadas, vejo que alguem está na entrada, acho que minha carteira deve está em alum lugar...
Sento no baco de couro, meu belo Dodge MAGNUM cor de prata, e saio da garagem...não sei pra onde ir, faz anos que esqueci de onde vim... quero apenas curtir a vida, fazer um bico aqui, olhar o céus estrelados ali, talvez conversar com alguem de vez em quando.. ah, lembrei a melodia.. acho que começava assim...

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domingo, 9 de janeiro de 2011

Sorriso e Batom

1

Pó, batom, tintas em bombom
Vestindo, pintando e trocando o meio tom
O homem se veste com roupas de palha
Como um guerreiro indo a batalha

Contra a tristeza, magoa e angustia
Bravo soldado, honrado, de causa justa
O picadeiro, sua arena
Um sorriso, sua arma

Cantando, dançando, pulando ou surtando
O palhaço no centro continuando
Seu serviço, com esmero de uma criança
Trazendo a felicidade, em tom de esperança.

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sábado, 8 de janeiro de 2011

Esquinas

2

Era um rapaz apressado.
Era um assalto realizado.
Era uma camisa verde e calça jeans.

Era um rapaz esforçado.
Era um rapaz atrasado.
Era um rapaz correndo pra pegar sua condução.

Polícia.

Era ignorância.
Era intolerância.
Era precipitação.

Era medo.
Era desprezo.
Era o peso da humilhação.
Era o que aquele rapaz apressado sentia.
Era injustiça por causa da cor de uma camisa.

Era um sorriso aliviado.
Era sangue no rosto e o descaso declarado.
Eram mais sorrisos agora em conjunto e em uma viatura.

Eram planos para o próximo.
Era desgosto pelo próximo.
Era a busca de um próximo.

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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Oculto

22

Ele estava deitado, olhando para o teto, não sabia ao certo há quanto tempo estava daquele jeito, talvez uma ou duas horas, era difícil dizer. Ele apenas não queria fechar os olhos, como se eles fossem um farol de esperança que não o deixaria avançar em direção ao abismo da insanidade, a loucura já há algum tempo espreitava-o, sempre esperando uma oportunidade.

O medo que o dominava não era com relação a seus sonhos ou pesadelos, por mais que eles tivessem se tornado perturbadores ultimamente, não eram reais, no fim ele sabia que apenas acordaria, seu medo era o medo original, aquele que sempre perseguiu os homens: o desconhecido.

Ele respirava devagar, tentava ficar atento a tudo, cada sombra parecia mais ameaçadora, e ele sentia outra presença, alguma coisa o dizia que ele não estava sozinho, por alguma razão também se sentia resignado, como se a única coisa que pudesse fazer era permanecer na cama e apenas esperar. 

Começava a se perguntar se aquilo tudo tinha alguma relação com o “Lemegeton”, que ele começava a ler, aquela leitura o deixou totalmente fascinado, principalmente a parte sobre Ars Goetia, ele não conseguia entender a razão, mas ele sempre havia tido um grande interesse pelo oculto, pelas coisas que desafiam a razão, talvez por não gostar muito dessa realidade. Desde muito novo ele fazia estudos sobre demonologia e ocultismo em geral, mas hoje pela primeira vez ele havia dado um passo a mais, tentado ir mais longe do que jamais havia ido. 

Dizem que quando se olha tempo demais para o abismo, ele também começa a olhar para dentro de você, ele havia brincado com coisas que não se deve, forças maiores do que ele, apesar dos avisos de que aquilo era perigoso e principalmente que não devia ser feito por um neófito, um erro por menor que fosse poderia ter conseqüências piores do que a morte, as ações necessárias para prevenir os espíritos de terem o controle, os preparativos que antecedem as invocações, ele tentava se lembrar se havia feito tudo da maneira correta. 

Os preparativos mínimos para o ritual eram: a varinha, o círculo, o triângulo, o selo, o hexagrama e o pentagrama. Os mais importantes eram o círculo que tem a função de proteger o mago e o triângulo que tem a função de prender o espírito invocado, a idéia de não ter feito apropriadamente um dos dois agora atormentava sua mente. 

Depois de três dias sem dormir ele não conseguia mais agüentar e caiu no sono, no fundo tinha a esperança que quando acordasse aquelas sensações teriam ido embora, mas não foram, nunca foram.

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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Busca

6

Busca

Gritando para a Lua
perguntando se tudo é realmente divino,
a fé não é mais importante
minha mente distorcida.

Ruínas em um pântano,
uma escura e tempestuosa noite
Destino é apenas uma estrela
o céu é muito maior.

Procurando meu Santo Graal
o início de uma trágedia?
Um espaço que não pode ser preenchido
quando o coração se quebra.

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sábado, 1 de janeiro de 2011

Aparição

7

Essa estória se passa em 2002, tinha 15 anos, todos os fatos aqui são verídicos e os nomes das pessoas foram trocados para preservar suas identidades.

Minha casa foi uma das primeiras do bairro, casa velha, grande e normalmente escura à noite. Aquela casa dava muito medo a minha prima ela por vezes viu algumas coisas estranhas pela casa como, por exemplo, uma vez ela jurou que viu um homem em pé no quintal (Eu simplesmente ria quando ela me contava essas coisas).

Gostava de sentar na calçada da casa e ligar o som para conversar com o pessoal. Uma noite, estavam Kildari, Alan e eu escutando Nightwish (Banda que até hoje gostamos), não havia ninguém em casa todos tinham saído para um casamento. O pessoal começou a ficar com fome e como eu era o “Anfitrião” da vez tive que ir pegar algo.

Entrando na casa as luzes estavam todas apagadas, nunca fui de ter medo do escuro, fui entrando passando pela sala com as luzes desligadas, nesse momento senti uma presença como se algo estivesse me seguindo e estava exatamente nas minhas costas eu podia sentir. (Deve ser um daqueles malucos, pensei).

Hesitei um pouco para olhar para traz, mas tomei coragem e virei de uma vez, mas nada havia lá. (Seria impressão minha?) Parei uns segundos apreciando o escuro (com certeza não é nada, pensei outra vez) virei devagar para frente (Esperando que algo acontecesse talvez) e dei um passo, dai senti naquele momento um calafrio que me deixou apavorado. Apertei o passo e continuei para a cozinha, acendi a luz, peguei a primeira coisa que vi na geladeira e voltei para o pessoal com um passo ainda mais apressado, ao passo que me dirigia à entrada da casa a angustia e os calafrios que senti antes estavam aumentando e eu não gostava disso. Cheguei ao encontro dos meus amigos, as sensações passaram e continuamos a conversa descontraída. Estava rindo com eles, mas estava mais atento ao interior da casa, algo não estava me deixando ficar calmo (o que teria lá dentro?). Passaram-se algumas horas até que Alan sugeriu que fosse pegar outro CD. Fiquei meio relutante, talvez por medo do acontecido anteriormente ou por preguiça mesmo, mas acho que foi pela primeira opção. Bem não tive chance tive que entrar na casa escura e vazia outra vez... Dessa vez fui em direção ao meu quarto que ficava no ultimo cômodo da casa no caminho fui acendendo todas as luzes da casa até chegar ao corredor que levava ao meu quarto um corredor longo e escuro... Até ai tudo bem nada de estranho.

A luz chegava fraca ali mesmo acendendo todas as luzes da casa. O corredor parecia ainda mais amedrontador do que de costume (Como nunca percebi que esse lugar era tão assustador?) e foi nesse momento que vi aquela coisa um vulto escuro, parecido com uma pessoa virada olhando para dentro do meu quarto. Não parecia ser humano, mas também não parecia ser sombra de algum móvel. Fiquei sem reação não sabia o que fazer. Olhei fixamente para ele, fiquei parado uns 30 segundos (Droga aquilo estava me deixando maluco) ele parecia ofegar como se estivesse respirando (Não conseguia ouvir, mas era isso que sua linguagem corporal falava) até que ele começou a se mexer em direção ao interior do meu quarto, queria entrar em pânico, sair correndo, gritar que nem um louco, mas acho que minha curiosidade foi maior e esperei até que ele entrasse. Daí eu esperei mais 10 segundos (Talvez em estado de choque) e fui devagar direto a porta do quarto contando meus passos e coloquei apenas meu braço para dentro do quarto procurando pelo interruptor.

Liguei a luz... Virei meu olhar para dentro do quarto e...

Para o meu espanto estava tudo no lugar, minha mesa estava como deixei cheia de cadernos, minha cama arrumada, a janela estava fechada com tranca, tudo como vi da ultima vez, parecia que ninguém tinha entrado ali além de mim. Peguei o CD em cima da mesa e voltei para o pessoal com o passo apressado.

E naquela noite senti mais uma vez os calafrios...

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Feliz Ano Novo e Aniversário

2

1° dia do ano, momento de desejar que todos se esforcem e alcançem suas metas e objetivos nesse novo ano, agradecer a todos que nos apoiaram ano passado e esperar que continuem conosco esse ano. Vocês são parte fundamental desse blog.
E por fim, e menos importante XD, em nome de toda equipe e colaboradores do blog desejar feliz aniversário ao Deneb, além de co-fundador do blog responsável por toda parte de layout,design ,programação e ainda cuida do twitter e da parte de contatos.(sim, é um trabalho mal remunerado e insalubre).

P.S: Que a profecia se cumpra.

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