terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Hora do Almoço

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Ele seguia os ponteiros do relógio com atenção, nenhum movimento lhe passava despercebido. Finalmente quando todos os ponteiros alinharam-se ao número 12, tal como num eclipse, um sorriso tomou conta de seu rosto, ele estava livre, tentou sair o mais rápido possível, mas foi detido por uma conversa inoportuna, quando conseguiu se livrar do indesejável interlocutor percebeu que o elevador já estava descendo,decidiu não esperar. Usando as escadas rapidamente desceu os 5 andares, quando saiu do prédio se sentiu realmente livre, retirou a gravata que lhe sufocava e pode sorrir.

Ele não era misantropo, mas naquele momento todas as outras pessoas lhe pareciam desagradáveis. Começou a caminhar sem rumo, seus passos acabaram levando-o ao parque da cidade, decidiu ignorar se havia chegado lá conscientemente, aquele local isolado, onde ele podia ouvir os próprios pensamentos lhe parecia um presente dos deuses, se sentiu um herói grego chegando aos Elísios.

Não fez muita cerimônia, escolheu um velho e desgastado banco como lugar de repouso, fechou os olhos e inspirou toda vida que seus pulmões podiam suportar e expirou todas as preocupações e aborrecimentos que tinha. Normalmente ele aproveitaria a oportunidade para fumar um bom cigarro, mas naquele momento ele achou que isso destruiria o momento, conteve seus impulsos e apenas manteve os olhos fechados.

Estava num momento de epifania, parecia não pertencer mais a este mundo, este era um daqueles momentos sublimes onde uma pessoa é capaz de se bastar a si mesma, o resto do universo havia se tornado supérfluo. Nesse momento o relógio que antes havia sido o portador de boas novas, agora se tornará um sinistro mensageiro, o ponteiro agora tocava o número 1, à hora do almoço tinha terminado, e ele estava atrasado.

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O Vampiro

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Seus olhos eram como os de um felino
Um vermelho ardente que contrastava com sua pele branca
Atraiu-me para perto. Aquilo era muito perigoso
Entretanto, eu não posso fugir

Suas presas longas pareciam com lâminas afiadas
Prontas para dilacerar meu pescoço
Ele chegou mais perto
E eu recuperei meu fôlego
Entretanto, eu não posso fugir

Eu congelei como um animal que está prestes a morrer
Estava presa
Ele é um vampiro
E eu sou sua presa
Entretanto, eu não posso fugir

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domingo, 26 de dezembro de 2010

Contos de Natal

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Aproveitando essa época de natal hoje estaremos postando contos de natal, para tornar tudo mais interessante faremos uma pequena competição entre nós, contamos com a opinião de vocês,através de comentários ou pelo twitter, para escolher o melhor conto.

Aproveitamos para também desejar um Feliz Natal e boas festas a todos que nos acompanham e apoiam.

EDIT:

Os quatro contos são:

Feliz natal Durval
Podem se servir
Uma Noite
Natal Chuvoso

Ajude-nos a escolher o melhor conto de Natal!

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sábado, 25 de dezembro de 2010

Natal chuvoso

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Já era tarde, chovia e fazia muito frio. As vestimentas dele já estavam encharcadas, seu nariz úmido e provavelmente amanha uma gripe o aguardava. O carro estava quebrado,na pressa esquecera de fazer revisão, mas como podia esperar que isso acontecesse? Principalmente num dia como hoje.
Nada de amigos, nada de festejos. Seu natal será sozinho caminhando no meio de uma estrada deserta, enquanto todos se divertem e nem notam sua presença. Mas o que ele mais teme é a frase perturbadora que povoa sua mente: “ninguém sentira minha falta”.
Já havia caminhado seis quilômetros ou sete, já não importava, seu celular não tinha mais sinal e sua pele já dava sinais de hipotermia. Foi então que o estrondo de um motor de carro se aproximando e as luzes em suas costas o fizeram ter alguma esperança. “Pelo menos vou poder ir para casa”.
Ao se virar percebeu que o carro parara ali, lhe encarando, 3 sujeitos então saíram de La e começaram a correr na sua direção. Seu coração palpitava, um medo profundo; “eu vou morrer”, talvez fossem assaltantes, ou sujeitos violentos que espancam mendigos. Mas ao conseguir enxergar os rostos dos seus algozes, um vento de alegria percorreu seu coração.
Estavam lá Carlos, Andre e Joaquim. Viajando no meio da noite a procura de um amigo perdido. Quase não acreditou quando eles o levaram para a casa de Anna, onde todos comemoravam o natal. Como pudera duvidar de seus leais amigos, eles nunca o abandonariam, e assim o sujeito, chegando e recebendo abraços e um chocolate quente sorriu e pensou em quão especial esse dia foi.

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Uma Noite

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Estava ansioso, nervoso e acima de tudo com muita pressa, faltavam poucos minutos para a viagem e não conseguia achá-la. Eu lembro onde a deixei exatamente, mas não estava mais lá. Onde será que ela está? Preciso entregar ela para a Mãe.

Procurei em todos os lugares, perguntei a todos, mas ninguém sabia seu paradeiro. Como fui perder algo tão importante? Lembro-me bem que como ela era, tinha um sentimento de amor imenso. Era meiga, inocente e de poucas palavras, palavras que eram poucas, mas profundas. Tinha um jeito simples de ser, quem a olhasse por fora falaria que ela era simples só pela sua existência, mas seu conteúdo tinha um jeito ímpar de ser.

Sempre apreciei essas singularidades, são muito parecidas por fora, mas quando as conheço por dentro são tão diferentes, cheias de desejos e sentimentos verdadeiros, sem dúvida todas tem um coração sincero, talvez seja curioso demais por saber tanto dessas coisas, mas conhecê-las sempre me fez bem e tenho certeza que é recíproco. Bem é meu trabalho cuidar delas e não posso me dar ao luxo de perder uma assim. Vou perguntar a Mãe se ela a viu, afinal ela sabe onde está tudo nessa casa.

- Mãe!

- Qual o problema Pai?

- Mãe. Acho que perdi a Carta da Marlene.

- Querido Noel pensei que sua memória não tinha limites, mas a carta está em seu bolso.

- Aaahh ...

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Podem se servir

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Ele estava nervoso, suando, olhava para o relógio que continuava a avançar, em volta ouvia risos e uma conversa animada, todos pareciam indiferentes a sua angústia.  

Sua mãe havia lhe dado a importantíssima missão de escrever um pequeno discurso sobre o Natal, para ser lido durante a ceia, na presença de todos os familiares e amigos da família. A casa estava cheia, pessoas que ele nem conhecia, parentes genéricos, ele se sentia em um pensionato de loucos, tudo parecia querer matar nele qualquer espírito natalino.

Ele podia fazer como a maioria das pessoas e comprar ou copiar a mensagem de um Cartão de Natal, mas ele não queria isso, para ele aquelas mensagens eram muito impessoais, pasteurizadas, incapazes de realmente expressar os sentimentos das pessoas. Ao mesmo tempo ele pensava em quanto de verdadeiro realmente havia naquilo, pessoas que não se falavam há muito tempo se reconciliam, perdões são dados, seria isso “espírito de natal”? Normalmente ele chamaria isso de hipocrisia, mas hoje havia algo especial nas pessoas, o próprio ar estava diferente, qualquer coisa que não existe e que apenas o nascimento de um Deus poderia criar, uma dessas coisas que os homens ainda não inventaram palavras para expressar.

Depois de muitas voltas e divagações ele voltou ao ponto de partida para descobrir que ainda não tinha escrito nada, as palavras fugiam dele, ele estava descobrindo que escrever é como tentar engarrafar nuvens ...

Imerso em pensamentos ele é subitamente interrompido por sua mãe, a ceia estava pronta e todos estavam a espera dele, ele caminhava lentamente, como se quisesse ganhar todo tempo possível, tudo parecia ficar em câmera lenta, ele tomou seu lugar a mesa e nesse momento foi anunciado que ele faria um pequeno discurso, o turbilhão de vozes e a algazarra de risos que tomavam conta da sala logo se tornaram um silêncio sepulcral, todos os olhos se voltaram para ele.

Atordoado, com a garganta seca, a voz parecia não querer sair, olhando em volta era possível perceber a impaciência de alguns, a mão que segurava uma folha de papel em branco começava a tremer. Percebendo a situação a mãe deu-lhe um tapinha nas costas, nesse momento ele inspirou com toda a força, buscava o ar como se estivesse se afogando em palavras que insistiam em não sair. Então sem parar para pensar ele começou a falar:

- Feliz Natal e podem começar a se servir!

Os aplausos choveram sobre ele.

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Feliz Natal Durval

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O galpão estava excepcionalmente barulhento aquele dia, eles pareciam prever a chacina, desesperados, atônitos, quase falavam, quase imploravam por um pouco mais de vida, mas só restava uma semana para o natal. Aquelas centenas de poleiros medindo 5cm de grossura e 10 de largura, separados 60 a 80cm uns dos outros e abrigando 2 a 3 perus por metro linear, estavam prestes a ficarem vazios novamente. Tudo começou há oito meses, quando eles eram apenas ovos, hoje eles são dinheiro, comida na mesa, resto de comida, como queira.

Os perus não devem ser criados junto com as outras aves, assim como os humanos não devem ser criados junto com outros humanos, mas somos ensinados desde cedo a suportar os demais, a sorrir quando o real desejo é mandar tomar no cu, a fingir que está dando atenção quando não se dá à mínima, a dizer que ama e fazer promessas por sexo, coito é mais que amor. Para se ter uma criação bem sucedida de perus, só se deve colocar para reprodução aves sadias e de boa procedência, os demais vão para o abate, a proporção deve ser de 1 macho para 8 a 10 fêmeas. É preferível que cada macho com suas fêmeas seja separado dos demais, para evitar as brigas. Evite brigas.

Durval, o dono da fazenda, convidou toda sua família e alguns proprietários de instancias vizinhas para comemorar o natal, muita fartura, muitos enfeites, muita luz, nenhum espírito natalino, esta data nunca significou nada para nenhuma daquelas pessoas, aliás, significava muitas vendas, caminhões transitando pela fazenda, muitos perus mortos. Desejavam ‘feliz natal’ como desejavam ‘bom dia’ aos empregados, saudação vazia, mecânica, sem cor, rígida, tensa.

Pela manhã todos já tinham ido embora, só restou bagunça pós-festa, Durval ainda meio lento da ressaca do dia anterior sentou-se no sofá, encostou a cabeça e encarou o teto. Sozinho como quase todos os dias do ano. Nos poleiros, alguns perus amanheceram sem seus companheiros de quarto, só os bonitos restaram, a mistura de depressão de fim de ano e esperança de que um ano melhor está por vir tomou conta do humano e das aves, o melhor pode nunca vir, este pode ser o seu melhor momento, o melhor pode ainda está por vir, amanhã pode ser o seu melhor momento.

Feliz Natal Durval.
Feliz Natal perus sobreviventes.
Feliz Natal pessoal.

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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Revelação

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Revelação

Acreditando na locura,
insanidade que há em mim,
imerso em pensamentos
a chuva lá fora me convida, 
nuvens encobrem o sol
uma brisa beija meu rosto

Todas as coisas dançam,
a suprema sinfonia,
porque ninguém mais ouve?

Orações ao vento
Comunhão com meu Deus interior,
pureza invade meu coração.
Ouvidos novos para uma nova mensagem.
" A crueldade tem um coração humano."

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sábado, 18 de dezembro de 2010

Rapsódia

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Rapsódia de sentimentos
Sentimentos que me fazem chorar,
Sentimentos que me fazem sorrir

Uma Rapsódia que poetas tentam explicar
Músicos tentam entender,
Algo que destrói com violência e rapidez ou
Rejuvenesce concebendo esperanças,

Esses Sentimentos partilhados que dividimos sem pensar
O certo? O errado? Quem sabe?
Apenas encaro de coração aberto.

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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O garoto sem nome

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Já era tarde. O rapaz olhava pela janela e lembrava-se de quando chegou naquele lugar, um garoto sujo e mirrado. Suas roupas estavam em farrapos e sua memória fragmentada, sua mais antiga lembrança era está envolto em escuridão e de repente enxergar a luz. Era como se sua vida tivesse começado ali, naquele exato momento em que um senhor tirava o entulho que o sufocava.

E agora aquele momento era a ultima noite que passava nesta pequena cidade. Onde vivera por tantos anos. Onde aprendeu o significado de família, de ter amigos, onde conheceu o calor de uma mulher... Ele que passara anos esperando o momento, de finalmente sair e explorar o mundo e agora tinha um pouco de receio disso.

Era como se aquela criança que havia chegado, medrosa e cheia de duvidas estivesse ali, naquele momento. Mas ele tinha se tornado um homem e estava prestes a traçar uma longa jornada pelo mundo e essa era a realização de todo o seu crescimento.

De repente um vento suave adentrou a cabana e por um instante ele pensou em flora. Ela que fora sua amiga, sua confidente e a que teve o beijo mais suave. Ele desejou que ela estivesse ali, que ainda estivessem naqueles tempos de primavera, que só servia para deixá-la ainda mais bela.

Desejou que Flora estivesse ali. Ele não queria deixá-la, se ao menos o tempo não tivesse passado e seu pai não a tivesse prometido ao filho do prefeito... Ele poderia muito bem tentar se ajustar a uma vida pacata (...) mas de alguma forma aquilo não lhe parecia à coisa certa a se fazer. Ele era apenas o neto adotivo de um cartógrafo aposentado, que futuro ela teria com ele?

(...)

O alvorecer chegava, a luz do lampião já definhava, e em seus olhos podia-se ver um brilho de determinação. A névoa em seus pensamentos dispersava-se conforme o sol espantava as brumas para a floresta. A porta se abria, um rapaz alto se aproximava dele.

-Já esta pronto meu amigo?

-Como nunca estive antes!

E assim ele partiu daquela cidadezinha, esquecendo-se do seu passado novamente enquanto almejava o futuro. Mais uma vez era um garoto sem nome.

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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Cicatrizes do Tempo

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Origem

                Há muitos milênios atrás, tantos que nem uma criatura viva no universo saberia dizer quando exatamente aconteceu. Cinco criaturas: Nigred, Rubed, Quetza, Anesha e Solari, viviam em meio ao caos dos universos e ao nada. Esses cinco eram chamados de Manahs.

Cada um dos cinco tinha um poder tão grandioso que seria impossível comparar entre eles qual seria o mais poderoso até que um dia essas cinco criaturas revolveram equiparar seus poderes e entraram em um grande confronto, um confronto onde muitos milênios foram gastos para determinar a superioridade de apenas um, mas seus poderes eram tão próximos que eles acabaram continuando o confronto por mais milênios.

O que eles não perceberam é que outra força surgiu de seus confrontos, essa força se chamava Xadai uma força tão poderosa que um corpo espiritual ou físico não poderia guardar tal poder, Xadai simplesmente existia em tudo e ao mesmo tempo em nada. Ele em sua onisciência resolveu acabar com o confronto entre os cinco destruindo seus corpos e dividindo fragmentos de seus poderes entre os universos e as dimensões. Assim criando toda a vida e tudo que é tangível, existente, intangível e inexistente. Esse acontecimento foi chamado de “A Era antes das Eras”.

Xadai com seu conhecimento supremo sabia que o poder dividido dos cinco iria criar criaturas com os poderes de seus antigos inimigos, mas não se preocupou, pois os fragmentos eram mínimos e seus poderes tão ínfimos que não hesitaria em destruir algumas criaturas que se opusessem a ele. Então que foi criado o homem que tinha as virtudes dos cinco Manahs que eram a Ordem e Luz de Quetza; o Conhecimento e Manipulação de Anesha; a Ambição e Escuridão de Negred; a Liberdade, Emoção e Impulso de Rubedo; e o dom de Crescer e Instinto de Solari.
Algumas Eras se passaram. Galáxias surgiram; planetas despertaram; continentes foram formados; cidades foram erguidas e seres surgiram formando vida nesse universo vasto que antes era ocupado pelo esquecimento.

E em uma parte do universo um pequeno planeta foi formado chamado Terra um planeta não muito grande comparado aos seus vizinhos, mas cheio de vida correndo pelas suas veias, que ao cair da noite a sua lua dava um espetáculo a parte e uma população que chegava aos seus milhares.

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sábado, 11 de dezembro de 2010

Taurus PT 99

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Subi aquelas escadas desfalecidas, cheguei no 103, tirei a chave do bolso de trás do jeans, errei o buraco da fechadura uma, duas, três vezes. Devia estar realmente cansado, definitivamente, eu estava muito cansado, os ombros pesavam, algo parecia montar nas minhas costas, como se quisesse me postar de joelhos, me atirar ao chão. Acendi a luz, joguei a chave sobre a escrivaninha, olhei em volta e percebi que tudo estava exatamente como deixei, afinal, hoje é quinta, e a Lurdes não passa para arrumar minha bagunça ás quintas-férias. Desfiz-me impaciente de minha camisa e a joguei no sofá pálido da sala que parecia me fitar com pena. Lurdes certamente me chamará atenção amanhã por causa da camisa suada jogada no sofá.

A caminho da cozinha quase tombei involuntariamente, minha visão embaçava, não me lembro de ter me sentido assim antes, algo realmente sem precedentes. Na geladeira, o de sempre, eu estaria realmente ferrado se a Lurdes não cuidasse da minha alimentação, não sei o que seria de mim. Mesmo naquele estado fatigado, desfalecido, não fui pra cama, hoje eu decididamente não iria pra cama, hoje era um dia especial. A varanda me pareceu mais amigável, de lá eu podia ver a praça, observar as pessoas sentadas conversando ou apenas no seu cooper noturno. Gosto de olhar pessoas e imaginar sobre suas histórias de vida, sempre me distraia com algo assim, mas meus olhos não me obedecem, eles se fecham gradativamente, como uma contagem regressiva.


Chão gelado, mas ei, não me lembro de ter sentado, acho que se Lurdes me visse nesse estado certamente iria questionar se ando usando drogas. Mas não creio que droga alguma cause efeito parecido nas pessoas, não teria porque se viciar em algo que te deixa tão esgotado, tão vazio. Tenho a impressão que cochilei, meus olhos não estão mais tão pesados e a praça está silenciosa, acho que está na hora. Acho que seria bacana buscar uma trilha sonora para a situação, mas creio que não seria capaz de encontrar.

Fui ao quarto, guarda-roupas, terceira gaveta, abaixo da gaveta das cuecas, lá estava o que procurava, fui caminhando com ela em mãos até a varanda, dei uma última olhada na praça, contemplei a brisa, beijei a imagem do crucifixo e lembrei que vi em algum lugar que para ser efetivo teria que atirar na cabeça, pois em outra parte do corpo poderia não dá certo, e isso eu tinha que fazer direito, senti o cano gelado tocar minha cabeça, meu juízo… Pelo menos não estarei aqui amanhã para ver a cara da Lurdes ao se deparar com a sujeira que vou fazer.

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Uma folha contra o vento

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Uma folha contra o vento

sonhos desaparecem como orvalho,
meu mundo em colapso,
exceção de todas as regras,
querendo entrar na sua mente,

desafiando meu próprio caos,
uma cadeia de acontecimentos me levam a insanidade
tudo murcha com o outono,

enquanto emoções tentam escapar para fora,
virando as costas para os sentimentos,
não pude aguentar tanta verdade,
promessas são ditas para serem quebradas,
mesmo assim sua voz me tranquilizava.

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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Fragmentos

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Fragmentos

Sem lágrimas,sem remorso
aprendendo a conviver com a dor
um céu vazio sobre mim
ainda tentado tocar a linha do horizonte
pensamentos sombrios preenchem minha mente

sem medo, sem rimas
tentando não olhar para trás
mesmo sabendo que coisas importantes foram esquecidas
pensamentos flutuam ao vento

sem lembranças,sem direção
tentando esquecer como as coisas ficaram assim
precisando de quebra-cabeças, decifrando nuvens
quebrando espelhos,criando mozaico
pensamentos e vozes me dizem o que preciso encontrar.

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