O manto da noite começava a descer sob o céu. Eu apenas a observava em silêncio, quase como se não estivesse ali, como se esperasse alguma coisa, o momento certo. Vendo o suor escorrer por sua pele pálida, seus cabelos negros balançarem ao vento, seu vestido amarelo combinando com o laço que amarrava seu cabelo.
Tão jovem e tão cheia de vida. No auge das suas seis primaveras, Amanda era uma criança que se destacava entre as demais. Não por possuir capacidades excepcionais, ou mesmo a falta delas. Mas porque seu olha era diferente, era quase como se ela me encarasse.
E então o momento se aproximava.
Em dois segundos um homem a minha direita cumprimentaria seu amigo. Em dez, uma mulher gorda atenderia um telefone de sua filha que estaria para da à luz. Em quatorze uma jovem se abaixaria para amarrar seus sapatos e um adolescente atrasado para um encontro esbarraria nela e cairia por cima de um casal. Assim nenhum deles atravessaria aquela rua, apenas aquela que eu espero.
O sinal abre, a duas quadras um motorista descuidado murmura sobre está atrasado para um casamento e avança o sinal. Poucos metros, poucos instantes. A fita do cabelo dela cai no chão, e naturalmente ela se abaixa para apanhar, quando, na hora exata o motorista chega e eu me preparo para concluir meu trabalho.
Mas não aconteceu conforme estava escrito.
Uma mulher, que não estava em minha lista pulou na direção de Amanda, a empurrando. Um ato corajoso, uma vida perdida, um destino mudado. Fato incomum, mas não único. Outras vezes durantes as eras a imprevisibilidade do homem já alterará meu curso. Eu podia ceifar vidas e destruir cidades, mas o homem tinha algo muito mais poderoso. O livre arbítrio.
Um presente de Deus que apenas a eles foi concebido. Nem nós, suas mão tínhamos essa liberdade. Com meu trabalho interrompido eu deveria apenas partir, levando a alma desta jovem no lugar da de Amanda, mas algo me impedia.
Havia alguma coisa naquela garota. A maneira como seu corpo olhava em minha direção... era perturbador. Como se seus olhos suplicassem por ajuda, agarrando-se cada sopro de vida, e eu não entendia o porquê.
...
Trinta e sete minutos haviam se passado, e eu ainda estava lá, ao seu lado. A sala branca, cercada de homens e mulheres, um deles, um ancião preparava-se para executar uma cirurgia. Mais um esforço inútil, a minha presença na sala era a única coisa que impedia que seu espírito se desvinculasse do corpo. E mesmo assim, no momento que eu desaparecesse, ela me acompanharia pela “trilha”.
Por que os humanos se apegam tanto a isso que eles chamam de vida?
E por que eu ainda queria descobrir aquilo? Será por pena? Curiosidade? Eu desejava conhecer o significado daquelas respostas e então pela primeira vez desde a minha existência, não cumpri minha função e permiti a aquela alma permanecer mais tempo em seu corpo, até que eu encontrasse minhas respostas.
E eu encontraria.
Tão jovem e tão cheia de vida. No auge das suas seis primaveras, Amanda era uma criança que se destacava entre as demais. Não por possuir capacidades excepcionais, ou mesmo a falta delas. Mas porque seu olha era diferente, era quase como se ela me encarasse.
E então o momento se aproximava.
Em dois segundos um homem a minha direita cumprimentaria seu amigo. Em dez, uma mulher gorda atenderia um telefone de sua filha que estaria para da à luz. Em quatorze uma jovem se abaixaria para amarrar seus sapatos e um adolescente atrasado para um encontro esbarraria nela e cairia por cima de um casal. Assim nenhum deles atravessaria aquela rua, apenas aquela que eu espero.
O sinal abre, a duas quadras um motorista descuidado murmura sobre está atrasado para um casamento e avança o sinal. Poucos metros, poucos instantes. A fita do cabelo dela cai no chão, e naturalmente ela se abaixa para apanhar, quando, na hora exata o motorista chega e eu me preparo para concluir meu trabalho.
Mas não aconteceu conforme estava escrito.
Uma mulher, que não estava em minha lista pulou na direção de Amanda, a empurrando. Um ato corajoso, uma vida perdida, um destino mudado. Fato incomum, mas não único. Outras vezes durantes as eras a imprevisibilidade do homem já alterará meu curso. Eu podia ceifar vidas e destruir cidades, mas o homem tinha algo muito mais poderoso. O livre arbítrio.
Um presente de Deus que apenas a eles foi concebido. Nem nós, suas mão tínhamos essa liberdade. Com meu trabalho interrompido eu deveria apenas partir, levando a alma desta jovem no lugar da de Amanda, mas algo me impedia.
Havia alguma coisa naquela garota. A maneira como seu corpo olhava em minha direção... era perturbador. Como se seus olhos suplicassem por ajuda, agarrando-se cada sopro de vida, e eu não entendia o porquê.
...
Trinta e sete minutos haviam se passado, e eu ainda estava lá, ao seu lado. A sala branca, cercada de homens e mulheres, um deles, um ancião preparava-se para executar uma cirurgia. Mais um esforço inútil, a minha presença na sala era a única coisa que impedia que seu espírito se desvinculasse do corpo. E mesmo assim, no momento que eu desaparecesse, ela me acompanharia pela “trilha”.
Por que os humanos se apegam tanto a isso que eles chamam de vida?
E por que eu ainda queria descobrir aquilo? Será por pena? Curiosidade? Eu desejava conhecer o significado daquelas respostas e então pela primeira vez desde a minha existência, não cumpri minha função e permiti a aquela alma permanecer mais tempo em seu corpo, até que eu encontrasse minhas respostas.
E eu encontraria.
1 comentários:
O rumo do conto me agrada por demais. Tanto que fiz analogias inevitáveis com "A Batalha do Apocalipse" e o fantástico "Cidade dos Anjos". Continue OD, preciso relembrar que minha atenção já é sua?
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