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Efêmera, é como posso definir minha “vida”. No meu mundo, um lugar onde não há peso ou vento, criado por nós para observá-los, um mundo completo de reflexos.
Uma realidade alternativa existente no mesmo lugar, igual a este universo. Posso controlar o amor das pessoas, controlar e destruir seus corações com um mero olhar ou recriá-los com magnificência. Esse sou eu, Evol.
Nós somos as peças, as molas que movem o universo, o sopro da vida. Não podemos sair daqui por nossos próprios meios. Não podemos tocar ou falar com o exterior, estamos presos a essa realidade efêmera apenas os observando...
Um dia o sol foi coberto por um manto negro de nuvens de terror e uma imagem desceu ao cume de uma montanha, era O Mestre, mas seu semblante estava mudado. Era um semblante de indignação e decepção.
- O que veio fazer aqui velho? Perguntou Vis da Fúria e Violência com um olhar de desgosto.
O mestre simplesmente não lhe respondeu, virou o rosto em direção a um vilarejo ali perto onde ele podia observar a movimentação de alguns aldeões. E assim disse:
- Arrependo-me de tê-los criado.
Vis, que estava feliz com a atual situação dos humanos não acreditou em tais palavras.
- Está caducando seu velho? Pensei que isso era um defeito só dos humanos. Disse Vis levando as mãos à cabeça.
O mestre novamente não lhe respondeu imediatamente, ficou em silêncio observando mais uma vez a movimentação no vilarejo abaixo.
- Vou dizimar os humanos que criei na face da terra.
Ele tinha percebido o quanto a maldade do homem cresceu na terra e como a inclinação de seus pensamentos era maligna. Alguns dos irmãos como Mens da inteligência e Anob da Bondade já tinham percebido tal irregularidade, mas nada fizeram.
Evol do Amor, ainda não se acostumará com a personalidade dos terrenos e muito menos entendeu o motivo por trás do desejo do Mestre. E assim o Mestre continuou:
- A falha não foi de vocês, foram essas bestas terrenas, mas não temam tudo ira terminar nesses dias que irão se seguir.
Sper, uma das irmãs, idolatrava os terrenos quase como seres divinos. E essa ação do mestre não a deixou muito confortável. Ela sentia que devia fazer algo, mas o que? O tempo era curto demais...
E assim O Mestre com seu semblante de indignação. Trouxe ao seu encontro um cajado velho de madeira e agarrando-o com a mão esquerda bateu quarenta vezes ao chão marcando os dias de agonia e desespero dos terrenos que ele chamava agora de bestas.
E assim a escuridão sobreveio à terra das bestas. O sol foi coberto por um manto negro de nuvens de terror.
As vozes de muitos passaram a ser ouvidas e um forte terremoto transformou tudo em poeira.
O mar foi preenchido com o sangue dos mortos. Rios e fontes foram banhados de sangue.
A nuvem se dissipou e o sol escaldante queimou as pessoas, as incendiando.
Pessoas, cheias de agonia, mordiam suas línguas e amaldiçoavam ao seu Deus.
Quando a água finalmente acabou, espíritos malignos apareceram das bocas de criaturas e dos falsos profetas.
O Mestre tinha se arrependido de ter criado o homem na terra e seu coração se encheu de mais dor.
Tudo na terra pereceu. Homens, animais e criaturas que se moviam na terra e os pássaros do céu todos tiveram suas vidas arrancadas.
Pássaros, animais domésticos, animais selvagens, todas as criaturas que estavam sobre a terra, além de toda a humanidade, todas as criaturas nesta terra já seca que ainda tinham um suspiro de vida em seus pulmões, morreram. E assim O Mestre disse mais uma vez:
- Arrependo-me de tê-los criado.
E então ele dizimou tudo que tinha vida, todos foram removidos da face da terra.
Entretanto, Sper com um movimento de sorte e usando de seus truques, conseguiu fazer com que um dos homens e sua família sobrevivessem juntando consigo o essencial para conseguirem viver, tudo isso sem que o Mestre percebesse. O nome do homem era Noé.
Mens da inteligência percebendo o acontecido virou-se para ela e disse:
- Sabes que só vai trazer mais ódio e fúria a esse homem e suas futuras gerações não é?
Sper não assustada por ele ter percebido seu truque disse olhando para Noé e sua família que agora eram sua única apreciação dos divinos terrenos:
- Claro meu caro irmão, afinal eu sou Sper da Esperança.