Ele seguia os ponteiros do relógio com atenção, nenhum movimento lhe passava despercebido. Finalmente quando todos os ponteiros alinharam-se ao número 12, tal como num eclipse, um sorriso tomou conta de seu rosto, ele estava livre, tentou sair o mais rápido possível, mas foi detido por uma conversa inoportuna, quando conseguiu se livrar do indesejável interlocutor percebeu que o elevador já estava descendo,decidiu não esperar. Usando as escadas rapidamente desceu os 5 andares, quando saiu do prédio se sentiu realmente livre, retirou a gravata que lhe sufocava e pode sorrir.
Ele não era misantropo, mas naquele momento todas as outras pessoas lhe pareciam desagradáveis. Começou a caminhar sem rumo, seus passos acabaram levando-o ao parque da cidade, decidiu ignorar se havia chegado lá conscientemente, aquele local isolado, onde ele podia ouvir os próprios pensamentos lhe parecia um presente dos deuses, se sentiu um herói grego chegando aos Elísios.
Não fez muita cerimônia, escolheu um velho e desgastado banco como lugar de repouso, fechou os olhos e inspirou toda vida que seus pulmões podiam suportar e expirou todas as preocupações e aborrecimentos que tinha. Normalmente ele aproveitaria a oportunidade para fumar um bom cigarro, mas naquele momento ele achou que isso destruiria o momento, conteve seus impulsos e apenas manteve os olhos fechados.
Estava num momento de epifania, parecia não pertencer mais a este mundo, este era um daqueles momentos sublimes onde uma pessoa é capaz de se bastar a si mesma, o resto do universo havia se tornado supérfluo. Nesse momento o relógio que antes havia sido o portador de boas novas, agora se tornará um sinistro mensageiro, o ponteiro agora tocava o número 1, à hora do almoço tinha terminado, e ele estava atrasado.
2 comentários:
Querido ,eu tive uma pequena impressão de que você estava descrevendo um momento seu. Espero não estar errada, mas se eu tiver te dou um conselho.Não se esforce demais, descanse um pouco pois você tem muitos dias de vida e vitórias. Beijos.
Em geral escrevo sobre o que estou sentindo num determinado momento, algumas vezes de forma mais direta outras mais metafórico.
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