Passei a catraca, sentei no último acento vago do ônibus, minto, tinha um vago mais à frente. Do meu lado, uma velha senhora lendo uma bíblia de bolso com suas letras minúsculas. Reparo numa moça bonita que estava de pé, de mochila nas costas, uniformizada com sua farda de colégio. Ao mesmo tempo vejo uma senhora passar com uma bolsa e sacolas, assim como seu terço com bolinhas azuis e brancas alternadas caindo no chão. A moça bonita também o notou, percebi que ela quis dizer algo para alertar sobre o objeto que caíra, mas, ela calou.
A senhora da bolsa e das sacolas sentou no último(agora sim) acento vago do ônibus e eu apenas observava a moça bonita. Ela movimentou-se para mais perto do terço postado ao chão, e ficou, ficou, ficou… Olhava-o e olhava para a senhora, e calada continuou. De repente a dona do objeto levanta tocando seu pulso vazio e olhando para o chão. Refazendo seus passos encontra o que sentira falta. A moça bonita ainda abaixou-se a fim de tentar se antecipar a senhora e entregar o terço a mesma, mas não, ela foi lenta. Percebendo a tentativa da moça em ajudá-la a apanhar o objeto no chão, a senhora a olha e diz – apertando o terço com sua mão direita e sorrindo – ‘É minha proteção’.
A moça devolve o sorriso. Frustrada, presumi.
Volto a atentar para a velha senhora e sua bíblia diminuta. Ela chorava, e não entendendo eu a perguntei o porque do choro e se ela estava se sentindo bem…
- Estou sem meus óculos, não consigo ler uma palavra sequer – Responde a velha senhora, decepcionada.
1 comentários:
Talvez a senhora não chorara a falta dos óculos ,mas ,talvez de não terem percebido que quem sabe, ela era apenas um anjo.
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